28.04.2010 as hs
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Celso Gaudêncio
Pecuarista de Jacarezinho (PR) |
Domínios Ecológicos Brasileiros e o ambiente rural

Os sistemas de produção rural brasileiros estão assentados nos diferentes domínios ecológicos, associados às essências florestais e interagindo com o homem.
São os sistemas de produção que irão quantificar a necessidade de florestas no Brasil.
Os Domínios Ecológicos Brasileiros, apresentados na ECO 92, são: Floresta Amazônica, Caatinga Nordestina, Cerrado do Brasil Central, Mata Atlântica, Florestas e Campos Meridionais, e Pantanal Mato-Grossense.
Qualquer outra classificação não atende à realidade ecológica em que atividade rural e a reserva florestal estão ou podem ser estabelecidas.
No Paraná, a produção rural está predominantemente localizada no Domínio Ecológico "Florestas e Campos Meridionais", em três planaltos e diferentes solos, entre os quais, latossolos vermelhos, roxos e brunos, podzólicos e litólicos, e não no ambiente costeiro.
Constitui erro de interpretação ecológica incluir a atividade produtiva do Paraná no Bioma Mata Atlântica. Caso fosse assim, o referido bioma costeiro alcançaria o sopé dos Andes, se não houvesse a fronteira com a Argentina e o Paraguai, constituindo uma aberração.
Salienta-se então que o mal traçado "Biomas do Brasil" não tem nenhuma utilidade para definir política agropecuária, reserva florestal ou ambiental.
É noticiado que irão gastar uma soma expressiva de recursos públicos e de produtores rurais no estudo para elaborar a política florestal e/ou ambiental, tomando como base os chamados Biomas do Brasil, o que por certo, se configura um erro lastimável de interpretação.
Tecnicamente não se pode aceitar tal diretriz, deixando de lado o que foi definido por numerosa plêiade de notáveis pesquisadores da Embrapa, na ECO 92.
Poucos vão ler e levar em conta tal posicionamento, mas a conclamação está posta, sem omissão à relevância do tema, considerando ainda, que a tempo para mudança de rumo nos referidos estudos.
Na constituição dos ecossistemas de produção rural há que se respeitar o ciclo das águas com a imprescindível proteção florestal das nascentes. Parte das margens dos cursos de água deve ser composta de florestas para proteger a fauna aquática, o que se convencionou chamar de reserva permanente. Mas dizer que toda beira de rio deva ter mata é um exagero que deve ser desmitificado.
Áreas com declive acentuado podem ser ocupadas, em patamares ou não, com espécies perenes tais como: pastagem, café, uva, chá e cana-de-açúcar, entre outras.
Nas várzeas férteis poderão ser implantadas culturas anuais, desde que se preservem as nascentes florestadas.
Do exposto, infere-se que, sem erro de conclusão, são os Ecossistemas Rurais de Produção que irão definir a maior ou menor necessidade de reservas florestais em cada propriedade, respeitando as particularidades dos diferentes Domínios Ecológicos Brasileiros, e não baseados nos mal fadados biomas, que desconsideram os fundamentos ecológicos do homem interagindo com a natureza. |