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25.11.2009 as hs
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Argemiro Luís Brum
Atividade: Administrador de Empresa
Histórico profissional
Professor formado pela UNIJUI em Administração de Empresas e Tecnólogo em Cooperativismo Mestre e Doutor em Economia Internacional respectivamente pelo IAMM (Montpellier-França) e EHESS (Paris |
O risco Chinês

O mundo finalmente começa a se dar conta de que a China, ao invés de ser uma solução para a crise mundial, com seu PIB acima de 8% anualizado neste final de 2009, pode sim se converter em forte ameaça para a economia planetária. A “bolha chinesa”, como se começa a falar, foi criada na mesma lógica do que a existente no Brasil e outros países.
O desempenho de sua economia, em recuperação à crise mundial, se deu em função do mercado interno, apoiado por forte volume de crédito público. O problema é como isso poderá se sustentar daqui em diante. Para se ter uma ideia dos gastos públicos chineses em busca da recuperação, o governo colocou à disposição, para 2009 e 2010, algo em torno de 4 trilhões de yuans (equivalente a aproximadamente um trilhão de reais), ou seja, 13% do PIB daquele país.
Se o socorro se mostrou eficaz no curto prazo, assim como aqui no Brasil, o mercado agora teme que esteja em formação bolhas gigantes de consumo que poderão estourar facilmente, gerando desequilíbrios econômicos importantes. Pressionados pelo Estado chinês a financiar grandes projetos de infraestrutura, os bancos chineses, apenas nos nove primeiros meses deste ano, forneceram cerca de 2,5 trilhões de reais em créditos à economia.
Isso representa 75% acima do que o destinado em todo o ano de 2008. Como tal conta será paga ninguém sabe ao certo. E aí mora a preocupação mundial. Afinal, se a bolha de recuperação estoura na China, o mundo inteiro será atingido e uma nova crise internacional se fará presente, provavelmente mais forte do que a vivida nestes últimos dois anos.
No Brasil, a bolha bursátil continua a crescer alimentada pela entrada importante e constante de dólares especulativos no país. Além de esconder a realidade provocada pela crise econômica global, que atingiu a todos e se faz presente em muitos setores, a mesma é um potencial elemento de distúrbios futuros.
Para se ter uma ideia do problema, enquanto o mercado espera que nosso PIB cresça apenas 0,2% neste ano, a Bovespa registra um ganho excepcional de 77,1% em 2009 (até meados deste mês de novembro). Paralelamente, as principais bolsas do mundo registram ganhos muito mais modestos, indicando que uma correção importante poderá acontecer em breve no Brasil.
Assim, Wall Street (Nova York) registra ganhos de 22,3% no mesmo período, a bolsa japonesa fica em 10,9%, a inglesa em 26,1%, a alemã 20,3%, a espanhola 38,2% e a mexicana 40,5%. Ganhos exagerados, sem lógica na economia real, acabam resultando em perdas consistentes logo adiante. Para tanto, basta que as economias destes países comecem a indicar recuperações mais interessantes, obrigando a uma elevação dos juros internos para evitar o retorno da inflação, que os capitais especulativos sairão rapidamente do Brasil, derrubando o valor dos ativos.
É preciso muita atenção no momento para não ser pego de surpresa quando isso vier a ocorrer. O ano de 2010 será importante nesse sentido!
Uma nova polêmica se instala no Brasil e particularmente no Rio Grande do Sul. Estudos da Embrapa estão indicando que os produtores gaúchos, sobretudo os chamados grandes produtores, apresentam rendimentos muito baixos comparados com seus colegas de outros Estados, especialmente o Paraná e o Mato Grosso.
Para se afirmar que a pequena propriedade é mais rentável que a grande foi um passo. Todavia, a polêmica é estéril! Em primeiro lugar, é evidente que áreas menores, de posse de tecnologia e condições para usá-la, irão apresentar maior rendimento pela possibilidade de concentração no uso da tecnologia disponível.
Em segundo lugar, nem todas as propriedades, inclusive junto às pequenas (e particularmente as recentemente assentadas) conseguem apresentar bons rendimentos e geração de renda. Em terceiro lugar, o que se precisa é discutir alternativas tecnológicas e de crédito para melhorarmos os rendimentos existentes, não importando o tamanho da propriedade.
Se é verdade que o que interessa é a renda que se pode tirar por hectare ou animal produzido, também é verdade que isso somente pode ser feito com tecnologia, investimentos, crédito e política agrícola de longo prazo. Além disso, o rendimento médio deve ser cruzado com as características de solo e clima que cada região possui.
E, nesse caso, os gaúchos não estão privilegiados, como sabemos. Como o Estado brasileiro não consegue estabelecer uma política eficaz para o setor primário, que privilegie a regionalização da produção, segundo as características de cada local, e muito menos propõe ações eficientes de reconversão dos produtores ameaçados, o debate descamba para a esterilidade de índices de produtividade sem avançar sobre o porquê da existência de tais índices.
O máximo que se consegue é colocar a ideologia à frente do discurso e tentar explicar, obtusamente, que a diferença de índices se dá em função do tamanho físico das propriedades rurais existentes país afora.
O estudo da Embrapa merece uma atenção melhor e mais racional, sob pena de se perder uma grande oportunidade de gerarmos condições superiores ao nosso agronegócio.
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