03.03.2009 as 14:14 hs
Pecuária
Criação de raças em Gado Leiteiro - verdades e mitos
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A cada dia o desafio de produzir leite de maneira economicamente viável, faz com que o produtor se torne profissional e deixa menos espaço ao amadorismo e à improvisação. Cada passo a ser dado deve ser planejado previamente pois sempre terão conseqüências, sejam elas boas e favoráveis ou más e prejudiciais.
É necessário que haja, sempre, um equilíbrio para que haja a sustentação da atividade a longo prazo, pois é sempre a longo prazo que as decisões sobre genética bovina deverão ser entendidas, já que os resultados demorarão cerca de 3 anos para começarem a aparecer e eles serão definitivos, ou seja, introduzida uma genética errada, ela só poderá ser removida do rebanho através do descarte de animais ou por cruzamentos, podendo demorar várias gerações de prejuízos para a sua eliminação.
Alguns fatores tem que ser ponderados, como:
- Clima: a temperatura e regime pluviométrico, pois afeta diretamente o ambiente onde os animais irão viver e afeta também a aptidão agrícola da região, influenciando o tipo de alimento a ser produzido.
- Capacidade administrativa e gerencial.
- Condição de treinamento e capacitação da mão de obra.
- Capacidade de prover as condições de manejo exigidas pelos animais, como criação de bezerras e novilhas, manejo sanitário e manejo do stress calórico.
No aspecto da decisão genética, a decisão mais importante é, sem sombra de dúvida, qual será (ão) a raça (s) a ser selecionada e para isso devemos conhecer as características das mesmas a fim de nos ajudar neste momento. Porém, a informação que NUNCA poderemos nos esquecer é que iremos produzir leite. Devemos optar por raças leiteiras, caso contrário o rebanho só perderá capacidade produtiva, valor e produzirá cada vez menos leite.
As principais raças de produção leiteira são:
- Holandês: a mais produtora, porém a mais exigente em alimentação e manejo.
- Jersey: porte pequeno, leite muito rico em sólidos (proteína e gordura). menor manutenção.
- Pardo Suíço: animais grandes, rústicos e com boa capacidade produtiva.
- Gir Leiteiro: maior produtora de leite entre os zebuínos, muito rústica e uma excelente opção de cruzamento.
- Guzerá Leiteiro: animais de boa conformação e boa rusticidade.
As condições brasileiras exigem um tipo de animal adaptado as condições de extremo calor com alta umidade relativa do ar, alimentação cada vez mais a pasto com uma suplementação variável para cada região (silagem de milho, sorgo ou capim; cana de açúcar, palma, resíduos industriais, ração, etc) resistência a endo e ecto-parasitos e doenças em geral.

Programa de cruzamento entre raças são ferramentas de grande auxílio pois visam aproveitar de pontos fortes de cada uma das raças que participam e ainda contar com o efeito genético, a Heterose, que é um ganho extra que o produto de cruzamento tem quando comparado a qualquer um dos lados de sua ascendência. Um bom exemplo disto é o gado Girolando, que desfruta da capacidade de produção herdada do Holandês e da rusticidade herdada do Gir; porém o efeito benéfico obtido pela Heterose não hereditário, ou seja, a medida que as linhagem vão se aproximando pelo uso de cruzamento para uma determinada raça, a heterose só tende a diminuir.
Uma vez que o cruzamento, como ferramenta de melhoramento genético, nos permite a "construção" do animal que precisamos em nossa atividade, devemos, dentro de cada raça, buscar os melhores touros, especialmente em características como:
- Força (largura da base do peito);
- Largura e altura do úbere superior
- Pernas e pés.
Lembre-se: produzir leite não é tudo para uma boa vaca. Ela ainda deve ter condição de resistir ao aparecimento de problemas e durar por muitas lactações.
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